Quais são os tipos de esquizofrenia que existem?

Dentre os principais transtornos psiquiátricos existentes, a esquizofrenia talvez seja o mais complexo, pois se caracteriza por alterações cerebrais no paciente que podem ser brutais a ponto do tratamento pouco ajudar a controlar o quadro.

Embora a psiquiatria moderna tenda a olhar para o transtorno como um espectro, classicamente existem quatro tipos de esquizofrenia, cada qual com suas particularidades e intensidades distintas.

Esquizofrenia paranoide é a mais comum

De acordo com o psiquiatra Miguel Boarati, os quatro tipos clássicos de esquizofrenia são: paranoide, hebefrênica, catatônica e indiferenciada. Entenda as diferenças:

Como surgiu a classificação dos tipos de esquizofrenia

A necessidade de categorizar a esquizofrenia surgiu no final do século XIX e início do século XX, impulsionada por psiquiatras pioneiros como Emil Kraepelin e Eugen Bleuler.

Kraepelin foi o primeiro a diferenciar o que ele chamava de “demência precoce” (devido ao rápido declínio cognitivo) de outros transtornos de humor. Posteriormente, Bleuler cunhou o termo “esquizofrenia” (mente dividida) e observou que os pacientes não apresentavam sempre os mesmos sintomas.

Para facilitar a comunicação entre médicos e definir prognósticos (previsões de melhora), foram criados os subtipos (paranoide, catatônica, etc.). Essa divisão foi fundamental por décadas para guiar a escolha de medicamentos e estratégias de internação.

Por que a divisão em tipos é menos usada atualmente

Apesar de os termos “paranoide” ou “catatônica” ainda serem muito usados na prática clínica para descrever o estado do paciente — como feito pelo Dr. Miguel Boarati —, os manuais de diagnóstico mais recentes (como o DSM-5) mudaram essa abordagem.

Atualmente, a ciência entende a esquizofrenia como um espectro. A divisão rígida caiu em desuso oficial por dois motivos principais:

  1. Sintomas mistos: a maioria dos pacientes apresentava sintomas de vários tipos ao mesmo tempo, dificultando uma classificação única.

  2. Instabilidade: o tipo de esquizofrenia de um paciente podia mudar ao longo da vida (ex: começar paranoide e evoluir para uma desorganização hebefrênica).

Hoje, o foco é avaliar a intensidade dos sintomas (gravidade dos delírios, nível de desorganização, catatonia) para personalizar o tratamento.

Tabela comparativa dos subtipos de esquizofrenia

Subtipo Principal característica Resposta ao tratamento
Paranoide Delírios de perseguição e alucinações auditivas. Preservação relativa da cognição. Boa. Geralmente responde bem aos antipsicóticos.
Hebefrênica Comportamento infantilizado, fala desconexa, afeto inadequado (rir em momentos tristes). Baixa. Difícil controle e rápida deterioração cognitiva.
Catatônica Imobilidade motora extrema, mutismo ou agitação excessiva sem propósito. Variável. Exige intervenção rápida (medicamentosa ou eletroconvulsoterapia).
Indiferenciada Mistura de sintomas dos outros tipos (alucinações + desorganização). Variável. Depende de qual sintoma é predominante no momento.

Todos os tipos de esquizofrenia precisam de medicação

Independentemente da classificação, o tratamento farmacológico é a base do controle da doença. O Dr. Miguel alerta que a esquizofrenia hebefrênica, por exemplo, possui uma resposta muitas vezes insuficiente ao tratamento medicamentoso e de reabilitação, “além de evoluir mais frequentemente para um processo de deterioração cognitiva”.

Além disso, é possível que o paciente desenvolva outras doenças em função da esquizofrenia. “Após um surto psicótico podem surgir quadros depressivos, manifestação de dependência química e ansiedade”.

A importância da adesão ao tratamento

Em relação ao tratamento do distúrbio, a orientação é que haja uma associação entre remédio controlado e terapia psicossocial.

“Mas em nenhum caso o paciente com esquizofrenia poderá ficar sem o tratamento medicamentoso, pois do contrário ele terá novos surtos psicóticos e a doença irá progredir. O tratamento medicamentoso não é o único a ser realizado, mas ele é essencial”, conclui.

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